1. EDITORIAL 15.5.13

"O VIDEOGAME DA VIOLNCIA"
 Carlos Jos Marques, diretor editorial 

Est todos os dias nos jornais e na televiso. Acontece como uma tenebrosa rotina nas ruas. A violncia em estgio descontrolado vem minando o nimo dos brasileiros e a credibilidade das autoridades. Passou a ser o item nmero 1 nas pesquisas de opinio sobre as preocupaes das pessoas, que tiveram uma melhora de renda ao mesmo tempo que experimentaram uma piora na qualidade de vida  ao menos no que se refere  sensao de proteo do Estado. Escandalosos casos de estupro so registrados como algo corriqueiro nas maiores capitais e, nesse aspecto, colocam o Pas no padro de desajuste social da ndia. s vsperas de receber eventos globais como a Jornada da Juventude, Copa do Mundo e Olimpada, o Brasil macula ainda mais sua imagem internacional com episdios sistemticos de crimes escabrosos e vem sendo comparado a uma selva subdesenvolvida. A impunidade, em alguns casos, e o descontrole, em outros, das operaes repressoras ultrapassaram todos os limites. H poucos dias, uma caada policial filmada direto de um helicptero participante da ao mostrava os mocinhos disparando, l do alto, milhares de tiros a esmo na perseguio a supostos bandidos. Como em um videogame, havia gritos de torcida incitando a matana. Em nenhum momento  possvel notar equilbrio e senso de responsabilidade dos autores. Casas, prdios e pessoas na rua surgiam como alvos fceis e, caso atingidos, seriam certamente depois classificados como incidentes colaterais da investida.  normal essa justificativa quando inocentes so abatidos em campo aberto, nas subidas de morro ou nas buscas em favelas. O problema  que o Pas no est em guerra e no deveria se prestar a operaes mal articuladas e imprudentes. O descaso e o despreparo policial so to ou mais nocivos que a crueldade impiedosa dos bandidos. A banalizao da violncia, aliada  glamorizao miditica de certas represses policiais  que so acompanhadas por cmeras de tev e reprteres vidos por mostrar agentes destemidos da lei , tem provocado indignao em escala. Por outro lado, muitas so as autoridades que parecem estar de braos cruzados, deixando a populao  merc da barbrie sem fim. H um crescente clamor de basta que deveria ser ouvido especialmente por aqueles que aspiram votos nas urnas.

